segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Competência Emocional

Ajudar crianças e jovens a desenvolver competência emocional é essencial para que possam organizar o seu sentir. Para que possam ter um diálogo interno saudável e reconhecer as suas próprias emoções. Porquê?
Porque as suas ações são determinadas e acompanhadas pelas emoções.
Os comportamentos vêm inundados de emoções e, as crianças e jovens, expressam as suas necessidades através do comportamento (assim como os próprios adultos).

Ter competência emocional é conhecer e saber sobre as emoções:
-é conseguir nomear a emoção;
-é conseguir verbalizar o sentir: onde sente e como sente fisicamente a emoção;
-é perceber como agimos quando estamos “tomados” por aquela emoção;
-é desenvolver e conhecer ferramentas e estratégias que podemos usar para lidar com as emoções;

E isto não tem uma receita pronta. Cada criança, cada jovem é único no seu sentir. A forma de sentir de um pode ser completamente diferente da forma de sentir do outro. Assim como as ferramentas que funcionam e ajudam para um são certamente diferentes das que funcionam para outro. Então a criança precisa  de descobrir por ela, para conseguir encontrar a sua própria forma de se organizar.
Ninguém nasce a saber fazer isto. Temos que aprender.

Permitir e ajudar crianças e jovens a terem esta perceção, a reconhecerem o direito que cada um tem de sentir, promovendo a empatia e o respeito é fundamental. É algo que eles vão precisar usar por toda a vida. É algo que vai fazer a diferença e ditar a qualidade das relações da sua vida.

É isto que faço através de dinâmicas lúdicas que uso nos workshops e nas oficinas de emoções para crianças e jovens: ensino sobre emoções, ensino sobre reconhecer o seu sentir, sobre validar emoções e, acima de tudo, ensino que o sentir de um é do tamanho do sentir do outro (Igual Valor). 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

O Respeito pela Integridade das Crianças e Jovens


 Sobre o respeito pela integridade de cada um.

Uma das principais necessidades que crianças e jovens sentem é serem aceites e amados por aquilo que são. É poderem ser autênticos e sentirem que os pais ou, as suas pessoas de referência, os amam incondicionalmente aconteça o que acontecer.

Que os aceitam em toda a sua plenitude: o lado bom e o lado mau.


Como é que nós, pais e cuidadores, respeitamos a integridade dos nossos filhos?

Quando lhes damos espaço para serem eles próprios sem julgamentos, sem culpas e sem vergonhas.

Quando eu (mãe/pai) não tenho desejo ou intenção de mudar o “jeito” do meu filho.

Quando o meu desejo e a minha intenção é ajudar o meu filho a usar o seu próprio "jeito de ser” a favor dele.


E o que é o “jeito de ser”? É a soma dos seus pensamentos, sentimentos, emoções, desejos e necessidades.

As crianças e os jovens precisam que o seu sentir seja visto e validado por nós.

Não estou a falar de validação de comportamentos. Estou a falar de validar o sentir. As emoções são amorais. Corrigimos comportamentos. Validamos as emoções.

Isto é respeito pela integridade do meu filho.


Ensina-me mais sobre o meu filho

 “Ensina-me mais sobre o meu filho”



Amo esta frase. É isto que eu quero realmente fazer. Ensinar pais e familiares a compreender, a ver e a respeitar verdadeiramente as suas crianças. 

Trabalhar dentro do contexto das dinâmicas familiares com base no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes. Ajudar os pais a olharem para as emoções e as necessidades dos seus filhos com um olhar amoroso e respeitador.


As crianças nascem boas, cheias de potencial, genuínas, cheias de energia, cheias de si próprias e preparadas para amar incondicionalmente.. Ao longo do seu crescimento, nós pais (muitas vezes por falta de conhecimento e sem qualquer noção das consequências dessa falta de saber) vamos diminuindo, limitando e encolhendo os nossos filhos. Depois, lá mais para a frente, ficamos perdidos quando olhamos para o jovem que temos à nossa frente e não o reconhecemos. Nesse momento olhamos para ele e concluímos que está “estragado” e que precisamos de procurar ajuda para o consertar.


Porquê esperar que esteja "estragado''? Porque não atuar antes, quando tudo está bem. Porque não apostamos na prevenção e no empoderamento?

A Educação Parental é o que permite aos pais aprenderem a lidar com os seus filhos.

A Educação Parental prepara, fortalece e sustenta os pais naquele que é um dos papéis mais maravilhoso e mais importante das nossas vidas: ser mãe e ser pai.

Sabemos que ninguém nasce a saber ser mãe e pai, sabemos que é uma aprendizagem diária cheia de desafios, de medos e incertezas que trás à superfície a nossa história, as nossas dores…. começamos a alimentar a culpa e a vergonha porque nos sentimos incompetentes como pais.

Vivemos na era da informação mas estamos submersos e perdidos no meio de um caos. Somos muito pouco seletivos na informação que consumimos e fazemos más escolhas. O conhecimento é muito pouco. 

Estamos cada vez mais desconectados de nós próprios… como vamos nos conectar com o bem mais precioso que temos nas nossas vidas?


Vamos juntos parar de criar barreiras e alimentar rótulos. Vamos juntos criar pontes!


As crianças são ótimas observadoras mas péssimas intérpretes

 Será que os nossos filhos sentem e entendem o quanto nós pais os amamos e aceitamos?

Será que os alunos nas escolas se sentem e entendem como aceites, válidos e importantes pela comunidade escolar?


Existe uma diferença entre o que nós adultos sentimos e o que as crianças e jovens interpretam. Tem tudo a ver com a forma como demonstramos esse amor, essa aceitação. Não bastam palavras. É muito mais profundo do que isso. Passa pela forma como nos relacionamos com eles, com as várias linguagens que usamos. Tem a ver com o nosso comportamento, as nossas atitudes, as nossas ações e sim, também com a nossa comunicação.


Não temos controle sobre a interpretação da criança, mas temos a responsabilidade e o poder de olhar para nós, para as nossas atitudes, para o nosso discurso e para o ambiente para podermos dar à criança o senso de pertencimento e aceitação.


Cuidado para não colocar o seu foco no sítio errado. Focar-se nas notas, nos prémios, nos quadros de valor e excelência e nas menções honrosas em vez de focar no bem estar emocional, mental e físico, leva muitas crianças e jovens a acreditarem que o seu valor e o direito de serem amadas e aceitas depende do seu desempenho.

É essencial que os nossos miúdos saibam (pensem, sintam e percebam na prática) que os pais e educadores os valorizam e os aceitam independentemente de serem ou não os melhores em alguma disciplina ou atividade.


“As crianças são ótimas observadoras mas péssimas intérpretes”

Rudolf Dreikurs



A Revolução na Educação


 Vejo e sinto cada vez mais pais e professores exaustos e desencorajados.

Isto preocupa-me porque as crianças e jovens da atualidade precisam mais do que nunca de adultos encorajados e emocionalmente competentes. Já deu para perceber que não são as competências técnicas que vão “salvar” as relações humanas.


Já todos percebemos que o sistema educativo que vigora nas escolas está caduco, obsoleto. Não serve às novas gerações, as quais trazem novas mentalidades, novos desafios, novas habilidades e necessidades diferentes. No entanto continuamos a querer impor algo que já não faz sentido.

Temos que fazer melhor. Temos que aprender com eles e, para isso, temos que ir ao encontro deles. Somos nós que temos que apanhar o comboio.


A questão é que a maioria de nós está parada na indignação, na reclamação. Vivemos a apontar os dedos para tudo e para todos mas não fazemos nada. Não saímos do lugar.

Ação gera movimento. O movimento gera emoção e encorajamento. E precisamos mesmo muito de nos encorajarmos!

A mudança começa em mim, em si, em cada um de nós. Não temos que mudar todos ao mesmo tempo. Não temos que mudar tudo de uma só vez. Sejamos realistas. Sejamos conscientes. Vamos focar em cada um de nós, naquilo que cada um de nós pode começar a fazer já hoje. Aos poucos, a mudança que acontece connosco influencia e encoraja os que estão ao nosso redor… que começam também a trabalhar na sua própria mudança.


A dada altura seremos muitos os encorajados, muitos os que aprenderam e apanharam o comboio e juntos conseguiremos ter efeitos sobre o sistema, as leis e poderemos gerar transformação.

Comece já hoje. Comece por si. Aprenda. Envolva-se com crianças e jovens. Integre-se em grupos que lhe tragam conhecimento e seja seletivo com a informação que consome. Foque em si. Não queira mudar o outro. É sobre si próprio.


Seja um agente de mudança. Liberte-se das amarras das suas crenças. Deixe os julgamentos de lado. Abra a sua mente para o desconhecido, para o incompreensível, para o novo, para a diferença. ENCORAJE-SE!


Fonte: Evento “A Revolução na Educação” de Sandra Matos, da Escola Babyoga Portugal


As crianças da atualidade são diferentes!


As crianças da atualidade são diferentes. Comportam-se de forma diferente.

Antigamente as crianças reconheciam a autoridade dos pais e simplesmente não a contestavam!

Verdade. Chama-se evolução. 


Ao longo dos últimos anos aconteceram grandes mudanças na sociedade.

Uma das mudanças que mais impacta é a “queda” dos modelos de submissão.

Quer um exemplo? Antes a palavra de um pai era um decreto inquestionável não só para os filhos mas também para as mães. A decisão do pai era a definitiva.

Atualmente a mãe deixou de ser um modelo de submissão.


Hoje em dia, todos os grupos minoritários exigem os seus direitos de igualdade e dignidade. Todos lutam por isso. É um direito fundamental e universal.

As crianças estão simplesmente a seguir o que vêem acontecer à sua volta. 

Nós pais somos os primeiros a querer que elas se tornem adultos decididos e determinados, livres e capazes de se protegerem e de concretizarem os seus sonhos. Adultos que não aceitem nem se sujeitem a relacionamentos abusivos e destrutivos.


Para que (amanhã) eles possam ser esses adultos, hoje, precisam de ser crianças teimosas, que questionam, que contestam. Crianças curiosas, que testam limites, que querem tomar decisões, que precisam se sentir importantes e especiais, capazes e desafiadoras. Crianças que fazem escolhas erradas porque não têm ainda a maturidade e as habilidades necessárias, mas que têm direito a serem tratadas com respeito e dignidade.

O grande desafio dos pais e educadores de hoje é saber lidar com estes comportamentos naturais e esperados sem as ferramentas e estratégias que realmente funcionam.


A liderança e a orientação do adulto são essenciais, afinal, é o adulto que dá à criança a oportunidade de desenvolver as habilidades de vida e sociais que ela precisa, num ambiente de gentileza e firmeza, em vez de um ambiente de culpa, vergonha e dor.

Precisamos compreender que a cooperação baseada no respeito mútuo e responsabilidade compartilhada é mais eficiente que o controle autoritário e abusivo.


O que é a Educação Positiva?

Segundo o modelo da Escola de Parentalidade e Educação Positivas é uma forma construtiva de educar baseada no respeito mútuo, na firmeza, na empatia e na generosidade, respeitando sempre a natureza de cada criança.

A educação positiva não humilha nem usa qualquer tipo de violência seja física, verbal ou emocional.


Reconhecemos as crianças como capazes e nunca inferiores a nós, entendendo que não é uma relação de igual para igual e que adultos e crianças assumem papéis diferentes na relação.

Compreendemos que as crianças precisam de nós, da nossa orientação, segurança e proteção. Assim sendo, somos nós pais e educadores, os responsáveis por proporcionar a cada criança o ambiente de que ela precisa para crescer e se desenvolver de forma saudável e segura.


Quem sustenta esta forma de educar é o adulto. É o adulto que guia, que orienta, que comunica e que dá o exemplo. É também o adulto que tem a autoridade na relação.

É essencial que os pais, educadores e professores assumam de forma clara essa autoridade para que os papéis na relação não se invertam. 

Para tal, os adultos precisam de se afirmar, ser assertivos e congruentes na definição de regras e limites, na promoção do diálogo e da escuta, incentivando as crianças a pensarem e a encontrarem elas próprias as suas soluções. 

Como? Usando gentileza e firmeza ao mesmo tempo e garantindo sempre dignidade e respeito no relacionamento.


O objetivo é criar adultos felizes, saudáveis, íntegros, responsáveis, autónomos e capazes.

Adultos que se aceitam e se respeitam a si próprios e aos outros, entusiasmados pela vida, de mente aberta, hábeis na resolução de problemas e dispostos a aprender. Adultos focados nas soluções e não nos erros. Adultos empenhados na construção de relacionamentos saudáveis, na cooperação e na construção de um mundo melhor.


E então? Ainda tem dúvidas sobre esta forma de educar?

Queridos pais, educadores e professores: imaginem como seria relacionarem-se assim com as vossas crianças? Em casa, na escola, … em qualquer lugar?

Sim, é possível!  A decisão é de cada um de nós.



Resoluções de Ano Novo

 Geralmente, em dezembro, fazemos o balanço do ano. Refletimos sobre o que correu bem, o que poderia ter sido melhor, o que ficou por fazer,...